A Cidade de Trindade
HISTÓRIA DA CIDADE

“Todo município tem sua história e algo que o permitiu consolidar-se como tal. Trindade não foge a regra e tem em sua gênese, como foi dito, um interesse muito mais religioso do que econômico ou mesmo político” (RODRIGUES 2004).
A origem do município de Trindade está ligada, de certa forma, à decadência do ouro, o que levaria pessoas, de regiões mineiras, a procurar áreas agricultáveis para cultura de subsistência e mesmo para produção a nível comercial.
É neste contexto histórico de decadência da mineração e desenvolvimento da agropecuária que, segundo Antônio Teixeira Neto, se dará a construção dos municípios goianos.
Dentre os núcleos urbanos que surgiram nos sertões goianos na época da mineração, destacamos Vila Boa (Cidade de Goiás), Curralinho (Itaberaí), Anicuns, Meia Ponte (Pirenópolis), Jaraguá, Corumbá, Santa Cruz, Bonfim (Silvânia), mais tarde o território de Bonfim é dividido e foi criado o distrito de Suçuapara (Bela Vista), Traíras (Niquelândia), Santana de Antas (Anápolis), Pouso Alto (Piracanjuba) e Alemão (Palmeiras de Goiás).
Goiás fez parte do ciclo do ouro no Brasil. No entanto no início do século XIX temos o esgotamento das minas auríferas e a migração em massa daqueles que viviam a custa desta atividade econômica.
A região onde hoje localiza o município de Trindade não tinha até o século XIX nenhum significado sócio-econômico.Geograficamente Trindade adveio do distrito de Santa Cruz, que foi criado em 1776, com um território que abrangia todo o Sul do estado. A Oeste, sua divisa era o rio dos Bois; a Sul e a Leste, o rio Paranaíba; a Nordeste fazia divisa com o município de Santa Luzia e ao Norte, com o município de Meia Ponte.
Em 1866 uma resolução provincial dividiu o distrito de Santa Cruz em dois, criando o município de Catalão. Neste mesmo ano, outra resolução desmembrou ainda mais Santa Cruz, criando o município de Bonfim.
Por volta de 1810, o alferes Joaquim Gomes da Silva escolheu uma região no distrito de Santa Cruz para estabelecer a sede de sua fazenda, onde surgia o núcleo de povoação de Campininhas das Flores.
Próximo de Campininha existia um córrego de água salobra que tinha as suas margens uma lama preta conhecido como Córrego do Barro Preto. Acredita-se que pelo meado da década de 1830, o casal mineiro Constantino Xavier e Ana Rosa tenham-se migrados para as proximidades deste córrego.
Segundo conta a tradição, Constantino Xavier e Ana Rosa encontraram em torno de 1840 um medalhão de barro no qual estava representado a “Santíssima Trindade coroando a Virgem Maria”. A partir daí grupos de famílias vizinhas do casal começaram a rezar um terço, em devoção ao Divino Pai Eterno, alguns anos mais tarde Constantino construiu uma capela de buriti, no mesmo local onde hoje é o Santuário Velho.

Principais Pontos Turísticos

Museu - Museu da Memória de Trindade

Composto de objetos, documentos, fotografias e obras de artes contando a história de Trindade, desde o achado do medalhão. Fica na Av. Major Manoel Alves, esquina com rua 16 de Julho no Setor Oeste.

Igreja Matriz

Segundo os relatos históricos, coincide com o local onde Constantino Xavier encontrou o medalhão. A alteração da imagem não interrompeu os milagres e graças recebidas pelos devotos do Divino Pai Eterno e o número de romeiros cresceu ano após ano. Em 1890, Oscar Leal calculou a presença de 15.000 pessoas na Romaria. Afirma ainda que havia romeiros de cem léguas daquele lugar.
Em 1876 iniciou-se a construção de um novo Santuário, trazendo mais conforto aos romeiros do Divino Pai Eterno. A obra foi concluída em 1878 e essa igreja durou até 1911. Em 1912, o atual Santuário (Igreja Matriz) foi levantado pelos padres redentoristas que chegaram a Trindade em 1894 para “cristianizar” a Romaria.

O Santuário Novo

É um lugar de adoração. O terceiro maior ponto de peregrinação do país. Em 1943, cerca de cem anos depois que Constantino e sua esposa encontraram o medalhão, o bispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira abençoava a pedra fundamental do Novo Santuário. Em 1958 é criada a Arquidiocese de Goiânia, sendo Dom Fernando Gomes dos Santos seu primeiro arcebispo. Dom Fernando e os missionários redentoristas levaram avante a construção de um novo santuário, que seria inaugurado em 1974, com a novena e a Festa do Divino pai Eterno.
Nas últimas décadas, o Santuário do Divino Pai Eterno tem recebido milhares de devotos, oriundos de diversas regiões do país. Segundo estimativa dos organizadores, calcula-se que a cidade de Trindade receba cerca de 2 milhões de romeiros no período que vai da
Novena à Festa, sendo esta realizada no primeiro domingo de julho.
A gruta de Nossa Senhora de Lourdes, veio substituir a uma outra que existiu décadas passadas e que fora desativada por estar colocando em perigo os visitantes. A atual maior e mais moderna foi inaugurada no dia 19 de junho de 2005, pelo Reitor do Santuário Pe. Robson de Oliveira e pelo governador do Estado, Marconi Perillo. Nela se empregou a mais alta tecnologia em construção arquitetônica, com camada impermeabilizante, para evitar futuras infiltrações. Dentro da gruta, uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes recebe a visitação de 80 mil romeiros por mês, e durante a romaria esse número fica ainda maior. A gruta faz parte do conjunto arquitetônico da Praça do santuário, que em conjunto com a rampa forma uma paisagem singular.

Praça do Carreiro

Foi construída em homenagem aos carreiros do Pai Eterno. Na tradição da romaria de Trindade, a figura do carro de boi sempre foi uma constante e ainda hoje os carreiros fazem uma peregrinação ao santuário, vindos de todas as regiões do nosso estado. A Praça com o painel retratando o Carro de Boi, com o carreiro e Candeeiro, foi construída pelo Prefeito Roberto Monteiro de Lima (1992-96), e a obra de arte foi feita pelo artesão e artista plástico Xavier.

A Via Sacra

É um conjunto de obra de arte, composto por 14 estações que retratam a paixão, morte e ressurreição de Cristo. Estátuas de tamanho natural procuram mostrar o caminho que Jesus percorreu, desde o momento da sua prisão, julgamento, morte no calvário. Retrata ainda o seu sepultamento e ascensão. O acervo de Obra de artes foi feito pelo artista plástico Elias dos Santos. A via sacra foi idealizada pelo Governo municipal de Trindade e inaugurada na gestão do prefeito George Morais, no ano de 2002

Igreja do Santíssimo Redentor

Foi inaugurada em 31 de maio de 2005. A igreja foi construída pelos missionários redentoristas e hoje abriga os restos mortais do Pe. Pelágio Sautter. Pe. Pelágio estava enterrado no cemitério Santana, em Goiânia e posteriormente fora transferido para Igreja Matriz de Campinas (Goiânia). Hoje descansa definitivamente, na capela que recebeu o seu nome, a qual está aberta permanentemente à visitação pública.

Carros de Boi

Um dos pontos altos da Festa do Divino Pai Eterno é a entrada de mais de 300 carreiros, vindos de diversas cidades do interior do Estado de Goiás, que participam do tradicional desfile de carros de boi. Os primeiros romeiros, que vieram a Trindade no Século XIX, chegaram de carro de boi.

Este ano os carreiros sairão da Rua 16 de julho, no centro da cidade, para depois passar pela Matriz (santuário antigo), subir a rua Santo Antonio, no bairro Santo Onofre, e seguir até o carreiródromo de Trindade.

A cidade não vive somente em torno da cantiga das rodas dos carros de boi e da fé, que leva milhares de pessoas a lotar as igrejas. As procissões, novenas, retiros e missas, na maioria das vezes, são partilhadas pelo consumo de cerveja e outras bebidas alcoólicas, além de festas com danças da catira, roda de violeiros, leilões, bingos, bailes, sanfoneiros e torneios de truco.

 
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